(Des)emprego


O desemprego é um problema que nos acompanha cada vez mais. As notícias de fábricas que encerram e de trabalhadores que são despedidos em massa têm sido uma constante nos últimos tempos, no nosso país.
Como é que sobrevivem os que viram o seu posto de trabalho desaparecer por falta de verbas? Como procuram novo emprego? Quais as dificuldades com que se deparam enquanto estão sem emprego? Como encaram a vida? Procurámos algumas respostas para estas perguntas, focando a atenção sobretudo na região do Vale do Ave, uma das mais castigadas pela crise que há muito tempo afecta a indústria têxtil portuguesa.
Os mais velhos são ainda mais prejudicados com este tipo de situações. Os despedimentos fazem com que muitos destes nunca mais consigam encontrar um novo trabalho. A idade conta, a qualificação torna-se imprescindível. Mas nem os mais novos, nem os mais qualificados escapam ao desemprego.


A Fábrica de Fiação do Rio Vizela foi, em tempos passados, uma das mais importantes do país. Acabou por fechar em 2002, lançando no desemprego mais de um milhar de trabalhadores. Entre esses estavam Isaura e Fernanda, que hoje aceitaram regressar ao local que pisaram pela última vez há cerca de sete anos.
Na entrada da fábrica, dirigiram-se ao porteiro, que continua a ser o mesmo de sempre. Agora, alguns dos pavilhões que serviam para fazer fiação estão alugados a outras empresas, sendo que um deles é para dar formação nos cursos Novas Oportunidades. Estas duas senhoras surpreenderam-se quando se dirigiram ao bar/refeitório e se depararam com antigos colegas dos tempos em que a fábrica ainda funcionava e que continuam a exercer as suas funções.O regresso de ambas é feito com uma mistura de alegria, nostalgia e muita saudade. Fá-las relembrar velhos tempos, tempos em que tudo era diferente, em que não era preciso ‘pensar duas vezes em ir ou não tomar um café’. Em 2002 ambas perderam o emprego, mas, devido à idade, Fernanda - que tinha 43 anos na altura em que foi despedida - deparou-se com sérias dificuldades. Ela é prova de que a idade conta, e desde que a fábrica do Rio Vizela a despediu nunca mais encontrou emprego.

Além das dificuldades em arranjar emprego, os desempregados têm também dificuldade em sobreviver enquanto o procurar emprego é a sua única função. Para muitos, a vida muda, e muitas das coisas que antes podiam fazer, hoje não passam de simples recordações. Os sonhos dos mais jovens ficam muitas das vezes adiados, porque o desemprego não lhes permite conseguirem cumprir muitos objectivos de vida a médio e longo prazo. A esperança parece começar a desaparecer para alguns, mas a procura incessante nos centros de emprego demonstra que apesar de tudo há que acreditar um pouco, continuar a tentar, não desistir. Mesmo assim, a emigração parece ser a solução mais evidente para este problema.

Com a falência da Fábrica de Fiação do Rio Vizela e o despedimento de mais de mil pessoas, dezenas de casais ficaram desempregados. Um desses casais - a D. Maria e o Sr. Gaspar - aquando o encerramento, foi lançado para o desemprego e ficou a mãos com uma casa para sustentar e os recursos para isso cada vez mais escassos. A idade que o casal tinha também não ajudou a encontrar um novo emprego com facilidade, e a necessidade de ter dinheiro para colocar comida na mesa levou a procurar, incessantemente, por uma nova oportunidade, pois, se para uma família ter um membro sem emprego é difícil, ter dois é ainda pior. A entrada na pré-reforma foi a única solução para terem um rendimento ao final do mês.

Na fábrica do Rio Vizela, o abandono é bastante visível, e não é ao acaso que esta fábrica é denominada pelos habitantes da zona como “Fábrica dos vidros partidos”. Nesta e em outras fábricas do Vale do Ave as imagens do abandono dos edíficios chamam à atenção de quem por elas passa. Outrora edifícios oponentes e cheios de vida, são agora montes de escombros, decadentes e solitários.

A grande maioria destas fábricas, dedicava-se ao sector têxtil, sector este que está em grande declínio em Portugal e é, certamente, o mais atingido pela crise económica. Em entrevista, o Delegado Regional do Norte do IEFP , Dr. Avelino Leite, referiu ser urgente a conversão da economia portuguesa para sectores relacionados com os serviços .Apesar dos elevados índices de desemprego, o delegado regional acredita na reabilitação da nossa economia, sendo para isso necessário um grande aumento da qualificaçãos dos portugueses.

Só através desta melhoria da qualificação e da conversão da economia para outros sectores, é que os números do desemprego, especialmente na região norte, deixarão de ser tão negros. Através de alguns dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional, tiram-se as dúvidas e reafirmam-se as certezas de que a região do Norte, tem sido nos últimos anos gravemente afectada pela crise. Os números de desempregados não enganam. A região norte vive assombrada por este problema.

E como conseguir melhorar a qualificação e habilitações dos portugueses? Além de apostar na educação dos jovens, através do programa Novas Oportunidadesé já dada a oportunidade aos mais velhos de aumentarem as suas qualificações. Sandra Rios, uma jovem coordenadora do Centro de Novas Oportunidades da Câmara Municipal de Santo Tirso, um dos concelhos com maior taxa de desemprego a nível nacional, falou com tristeza das críticas apontadas ao programa. São muitas as pessoas que consideram que os cursos de novas oportunidades são facilitados aos seus alunos e que muitos dos diplomas não são merecidos. Sandra diz que o Centro de Novas Oportunidades é uma oferta de qualificação, que é reconhecida através da valorização das competências dos seus alunos. E, ao contrário do que muitos pensam, “as pessoas que trabalham são as que mais procuram o Centro de Novas oportunidades”, disse a coordenadora.Com cinco anos de existência já certificaram 1386 alunos. A procura ao longo do tempo aumentou, também porque as pessoas começaram a ter um maior conhecimento, devido ao maior investimento na divulgação destes cursos.Através do Centro de Novas Oportunidades já há muitos casos de sucesso, desde subidas de categorias nas empresas, abertura das suas próprias empresas, e até mesmo o ingresso na universidade.

Mas, não são apenas os Centros Novas Oportunidades que tentam "dar um ajuda" para baixar o número de desempregados. Também o site “Carga de trabalhos, ajuda muitos desempregados a re(en)trarem no mundo do trabalho”. Com apenas 25 anos, e uma licenciatura em Comunicação Empresarial, Ricardo Dias criou o site que ao longo dos apenas cinco anos de existência tem ajudado muita gente a encontrar emprego. Este jovem, não tem qualquer lucro monetário com o site, mas mesmo assim, continua a dedicar algumas horas do seu dia a ajudar desempregados. da área da comunicação, a conseguirem um trabalho.

Encontrar emprego não é tarefa fácil. Torna-se imprescindível que os desempregados estejam bem informados, de forma a perceber melhor como procurar emprego de acordo com a sua formação escolar e profissional. As dúvidas são muitas, mas conhecer todas as formas de escapar ao desemprego é essencial. Só assim serão utilizados todos os serviços disponibilizados pelos centros de emprego.

As previsões apontam para o aumento da taxa de desemprego para 8,5 por cento. Alguns partidos da oposição falam já numa taxa real superior a 1o por cento. Meio milhão de portugueses desempregados. Será possível sair desta crise? Voltarão os portugueses a reaver os seus empregos? Conseguirão voltar a sentirem-se seguros no seu posto de trabalho? Conseguirá a economia portuguesa não depender em tão grande escala do sector da indústria? Conseguirá a população portuguesa aumentar as suas qualificações? Um país inteiro aguarda ansiosamente por respostas a estas questões.

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